Segundo o dicionário, reinventar significa “recriar algo a partir do que já existe, transformar a si, a algo ou outrem.” Melhor definição não há. Recriar alguém a partir daquele que já existe, transformar. E foi isso que você tem feito por aqui.
A verdade é que não te vi chegando. Acho que a porta estava aberta e você entrou sem bater, nem pediu licença e já tomou seu lugar. Perguntou se eu estava bem, se estava tudo em paz, se eu ainda era um partido de coração partido, e se tinha sobrado alguma coisa depois da tempestade. E eu te respondi tudo. Te disse que eu estava bem, estava indo, estava em paz mesmo sendo um partido de coração partido, e que tinha sobrado alguns pedaços de tudo. Você foi lá e os juntou.
Começou do nada. Na primeira conversa, na primeira lembrança, na casa do nosso amigo, depois na brincadeira, até que virou carinho. Virou afeto. E eu não reparei que o tempo passou, e ele fez questão de mostrar que mesmo passando, você veio com ele e girávamos no mesmo sentido. Aliás, combinamos até na órbita, dividindo uma constelação de desejos.
Não preciso dizer que casa da gente é onde querem a gente bem, e eu descobri que com muito carinho, com muita vontade e com muita sintonia, posso fazer de você minha casa. Eu alugo um quarto sem garagem, e te dou a chave. E te dou tempo. E te dou vontade. E te dou certeza. E te dou uma conversa boba. Te dou conselho, e você me devolve sorrindo, rindo e vivendo.
Por isso, obrigada por me (re)inventar. Eu já não me conhecia mais, e fiquei com medo de não ter nada de bom para te mostrar. Obrigado por fazer alguns versos que rimassem, por me ensinar algumas canções, pelo colo e pela prioridade. Obrigada por me juntar em cada pedaço, em cada abraço, e me fazer ver que eu ainda tinha algo para oferecer. Talvez eu não seja muita coisa. Mas eu tenho um mundo todo de novas pessoas, aventuras e possibilidades.

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