Olá.
Sou seu primeiro amor, na verdade você foi meu primeiro amor. Primeiro é aquele que inicia, se é que isso realmente existe. Depois da sua saída, acompanhei tua vida meio que discretamente. Começamos em um dia chuvoso, acabamos em um dia de sol. Foi um ano maluco, o mundo poderia acabar, mas não acabou. Mas a gente, ah, a gente sim acabou, eu achei que minha vida fosse acabar junto, mas veja, eu ainda tô aqui.
Ficamos pouco tempo juntos, nada comparado ao que eu sonhava em ficar. Você me fez muito feliz e eu nunca havia estado feliz, eu dormia sorrindo e acordava com um sorriso maior. Você era o meu único pensamento durante as 24h, nosso primeiro beijo foi de perder o fôlego, mas eu acabei perdendo junto a minha alma e foi incrivelmente lindo, mas fantasticamente inseguro.
Você, era apenas você, mas foi uma briga qualquer, foi uma mentira a mais, nos destruímos, fomos embora, partimos sem nos importar em nos ver, fomos frios, calculistas. Podia ver nas manchetes: "homens fogem sem prestar socorro", jornal da vida, da sua talvez, mas da minha, com certeza. Entrei em choque, fumei, bebi, enlouqueci pra não lembrar, fumei pra tentar me acalmar e bebi por não esquecer e fumei mais e criei e vivi num mundo paralelo.
E o pior, não esquecia e nem me acalmava, saía, ia pras baladas e eu via o seu rosto no meio das pessoas, feliz. E eu só queria dizer que errar é humano, vem me dá um abraço, mas você desapareceu. E eu tinha tanta dor dentro de mim, sou frágil, e veio a raiva, surtei. O ventou me alcançou e balançou meus cabelos e ouvi tua voz, no mesmo instante a raiva passou. E conheci outras pessoas, não eram nem de longe parecidas com você e elas não podiam matar você em mim, e foi um ciclo cansativo de surtos, cigarros, bebidas, e saídas.
E fui me destruindo, eu tava morrendo aos poucos, então foquei na carreira profissional, não podia morrer por inteiro. E estudei, muito. Fiz muitas coisas, uma, duas, três. Dispensei ajuda de gente legal, vesti minha armadura mais forte e acreditava que minha dor, meu sofrimento era contagioso, assim como você foi. E teve pessoas querendo cuidar de mim, querendo me fazer voltar a ser feliz, e de tantos nãos, eu disse sim.
Nesse dia eu parei de fumar, mas bebi para brindar, para comemorar, por ter conseguido depois de tanto tempo me sentir amada. Será que você foi mesmo meu primeiro amor ? Quero acreditar que foi uma paixão devastadora. E eu acredito nisso e sigo sorrindo, voltei a amar as cores da vida, talvez assim você vai acabando dentro de mim, até ir por inteiro. E sei que ainda vou dar risada de tudo o que aconteceu, todo mundo disse que eu iria rir depois de um tempo, mas quanto tempo isso vai levar? Quando eu vou sentir essa satisfação? Sabe, saí por aí e não sentir nada.
Mas até o nada era um problema, eu acho que prefiro a dor do que o nada. Eu só desejo que a maldade do mundo nunca te atinja, que não atinja aquelas que são dignas do teu amor. O mundo é muito sujo, não se corrompa, eu já tô fazendo isso por nós. Pra sair disso ileso, não basta ser bom, ser do bem. E agora vamos indo, procurando a felicidade, quem sabe viver o primeiro amor, pela primeira vez, se é que não a tivemos ainda, éramos, talvez somos muito crianças, pra isso.
O tempo precisa e vai fazer bem, e hoje devastada te deixo essa carta, é a única coisa que posso fazer por você. Que seja doce, que seja livre, a gente só vive uma vez, e para não ter uma vida, uma capa vazia:
EU TE AMO.
Tchau,
com amor.
Anna Carolina.

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