É impressionante como muitas vezes as grandes oportunidades da vida passam estacionam do nosso lado, buzinam, chamam-nos, gritam nosso nome e não percebemos.
Vidrados no que alguns tendem a chamar de "egoismo patológico", perdemos momentos que poderia ser um dos, ou talvez o momento mais fundamental para a gente naquele momento. Estamos mais preocupados com dinheiro do que com o trabalho, mais focados nas brigas do que estar em paz. Usamos como desculpa o nosso passado, nossos medos e, muitas vezes, sem motivos, usamos nossos traumas, para nos explicar de algo, apenas no intuito de ficar na razão.
No entanto, em algum momento, talvez por uma perda, ou por pura ociosidade, encontramos enfim o motivo, a razão pelo qual a oportunidade pretendida se esvaiu. Olhamos pela janela da vida, como se estivéssemos numa viagem de ônibus e percebemos, vidas, lugares, pessoas, que abandonamos ou deixamos pra traz, percebemos que muitas coisas que estávamos buscando na teoria, eram totalmente contrárias em nossas ações práticas e, que muitas das vezes que nos fizemos de vítima, na realidade, eramos mesmos os vilões. Percebemos que o ponto pretendido para parar, já tinha se passado e como estávamos no nosso mundo particular de "donos absolutos de todas as razões universais", nem percebemos.
Pessoas que nos amavam, e que fariam de um tudo para estar conosco, abrem mão de ser machucados. Outros que sempre nos defendiam, independente do que tivéssemos feito, já são os primeiros a nos chamar atenção. Percebemos que o mundo gira numa constância tão absoluta que o que era nosso, já não nos pertence mais por que abrimos mão. E o mais triste neste momento é perceber que "O ônibus da vida" não para, não freia e, não retorna e, mesmo se retornasse, as pessoas, lugares e ocasiões que deixamos pra traz, já não estão mais no mesmo lugar.
Como diz no "O Diário de Anne Frank".
"Os mortos recebem mais flores do que os vivos porque o remorso é mais forte que a gratidão..."

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